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BREVE RESENHA HISTÓRICA

De onde até onde...

O SNATTI, embora com outra designação, nasceu há 69 anos. Em 2006 comemora o seu 70º aniversário!

Em 1936, em virtude de uma situação conturbada à qual urgia pôr cobro, um grupo de profissionais solicitou às autoridades a criação de um sindicato para procurar ordenar o exercício da actividade dos guias-intérpretes e para estes se precaverem da prepotência das agências(1).

Acontecimentos históricos e políticos – guerras, nomeadamente – não favoreceram a actividade do sector turístico. Já após 1945, o então presidente do SNAT, Ferreira Borges, para além da representatividade, apostou na formação dos futuros guias-intérpretes, conferindo essa orientação e responsabilidade ao sindicato.

Na década de 1960, foram assim organizadas diversas acções no sentido de preparar e encartar profissionais. As boas relações com o SNI – Secretariado Nacional da Informação e a participação no Conselho Nacional do Turismo, permitiu ao sindicato negociar legislação que regulasse a actividade e definisse a respectiva carreira profissional. Outros tempos, porém, sabe-se o quanto qualquer regime totalitário prezava os “guias”! Apesar dessa posição de quasi-privilégio, o aparecimento de determinadas entidades formadoras privadas (ISLA e INP), veio tirar preeminência ao sindicato.

A partir de meados dos anos 70, a alteração de sistema político confere outro significado ao termo sindicato. Abre-se uma época de grandes mudanças em todos os quadrantes da sociedade portuguesa. Embora não haja registo de grande furor reivindicativo ao nível do SNAT. O facto é que surgiram novas oportunidades de trabalho, uma organização do mercado, nova legislação laboral, fiscal, etc... e portanto maior necessidade de intervenção por parte do sindicato em prol dos “trabalhadores independentes” – assim designados doravante – do sector da actividade turística.

Em 1990, voltou a integrar oficialmente duas profissões do ramo linguístico, sem ligação directa ao turismo, mas que completam a sua abrangência, passando a designar-se SNATTI, tal como hoje é conhecido.

Neste início de século XXI, a percepção do sindicalismo tem de se adaptar a novas realidades: reconfiguração dos mercados e agentes; novos modos de abordar a prestação serviço; fluidez dos mecanismos de regulação e das relações de trabalho; necessidade de recorrer à concertação entre interessados, suas organizações representativas e entidades pertinentes a nível sectorial, nacional, regional, local... e, porventura, supracional.

Um sindicato é um órgão de filiação livre e autónoma, através do qual os interessados podem constituir uma plataforma no intuito de promover e defender os seus interesses. Trata-se de um órgão cujo estatuto é oficialmente reconhecido – na qualidade de parceiro social, quanto mais não seja – e que, em nome de todos nós, pode desempenhar um inestimável papel enquanto interlocutor. Algo dificilmente podemos almejar a título individual!

É certo que para que o sindicato nos sirva, temos de o servir, determinando, nós próprios, colectivamente, o que pretendemos que ele faça por nós, e desde que nos empenhemos nessa tarefa.


(1) ALVES, Alberto, “Guias-Intérpretes – Memórias e Futuro”, intervenção proferida no Congresso Nacional de G-I. e Correios de Turismo, Lisboa, 13/06/2004

"Notas para uma Alocução"

José Manuel Cimbron
Dia Mundial do Guia 2006/70 Anos do SNATTI

- Em 1936 os Sindicatos deveriam ter como número mínimo de associados 100 indivíduos.

- O Sindicato Nacional dos Guias, Intérpretes e Guias Intérpretes era uma das poucas excepções: começou com 45 associados. Talvez porque “é uma classe que convinha unir e integrar no pensamento da Revolução Nacional, para que cada elemento fosse junto dos turistas que nos visitam um porta-voz do Portugal Novo.” (Instituto do Trabalho e Previdência).

- 1ª sede: Rossio (93, 1º Dto.).

- Quota mensal: 10$00 (5 cêntimos).

- Durante a década de 40 o Sindicato realizou apenas uma Assembleia-Geral (1940), onde se declara que a actividade é praticamente inexistente.

- A partir dos anos 50 há uma nova realidade turística em Portugal – as visitas não se confinam a Lisboa e arredores. Há que dar preparação aos guias. Não existem escolas de Turismo. O Sindicato organiza um curso de seis meses. Entre o corpo docente encontramos nomes como: Ferreira Borges (o fundador do Sindicato), Mello Moser e Borges de Macedo.

- Em 1953 um full-day com grupos de 15 a 30 pessoas era pago a 240$00 (1,20 euros) o que significa que os guias tinham então maior poder de compra do que hoje em dia.

- Em 1956 as instalações do Sindicato, que entretanto tinham passado para a rua da Palma, mudam-se temporariamente para as que...são hoje em dia – Rua do Telhal. Já lá vão, precisamente, 50 anos. Mas mais curioso do que isto é o facto de que estas instalações pertenciam ao Grémio Nacional das Agências de Viagens. Na acta de 2 de Abril de 1956 pode ler-se: “este Grémio não pretende negociar com uma propriedade que lhe não pertence, mas apenas dar satisfação ao desejo manifestado por Sua Excelência o Ministro das Corporações e Previdência Social daquele Sindicato ficar instalado provisoriamente, por não dispor, por enquanto, de verba para alugar casa própria.”

- A partir de meados da década de 60 com os cursos de Turismo do I.N.P. e do ISLA o peso pedagógico do Sindicato diminui, e a partir de 1974 diminui o peso político, isto é, os governantes já não temem as informações de carácter político que os Guias possam dar sobre o país.

- Na década de 80 o Sindicato readquire uma considerável importância pedagógica, com uma intensa e estruturada acção formativa: visitas de estudo e acções de formação na época baixa.

- A especificidade do trabalho do Guia-Intérprete (trabalho realizado quase exclusivamente com estrangeiros) faz com que a qualidade do seu trabalho seja pouco conhecida em Portugal. O capítulo “Uma breve amostra das impressões dos turistas estrangeiros” do livro “Ser Guia-Intérprete em Portugal”, não deixa quaisquer dúvidas sobre a admiração que os estrangeiros têm pelo trabalho desenvolvido pelos Guias-Intérpretes responsáveis.

- Mas muito mais poderíamos fazer pela imagem de Portugal no mundo, caso os nossos governantes dessem mais atenção às nossas sugestões. Fica aqui uma: autorizem a venda das edições estrangeiras de livros como “Os Lusíadas”, “Mensagem” e “Poemas Ibéricos” nos principais monumentos nacionais. Os Guias encarregam-se de promovê-los junto dos seus turistas. Poderíamos, desta forma, vender anualmente alguns milhares de exemplares de obras-primas da literatura mundial.

 
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